Retrocesso.



Quero olhar a vida sem distorcer os fatos que por mim se tornam complexos. Provavelmente é sobre o passado. Redundante seria mencionar o medo. Pleonasmo. O mais velho de meus temores. 
Juro que sorrio. Mas hoje, deixe-me desabar no tempo que me encurrala nos traumas da alma. 
Criança perdida que chora sem razão cabível no presente. 
Incoerente. É quase tudo o que sou. Meu único acerto. 
A dor se fez atemporal. Transcendente aos causadores. Agora invade todo o meu corpo, em doses maiores, pois sabe da minha incapacidade de suportar nesse instante. 
Não está no olhar, na mente e nem fora de mim (como eu queria...) 
É o meu peito. Aberto e vulnerável; esmorecido. 
Mas o coração tem caído no esquecimento. Chateado. Sem vida e amor. 
Prometo que me conforto na arte. 
Há ressalvas que ainda ocorrerão. 
Acredito que embora imoderadamente tolos, ainda possamos, como seres esclarecedoramente inconscientes, afirmar as impermanências. 
Sobre a suposta esperança, diria, baseada nas incertezas tão certas quanto eu, que padeceu. Sem muito alarde. Teve um fim memorável. Digo suposta por não compreender o tal esperar. 
Creio que me acostumei a tropeçar em mim mesma por tempo o suficiente a desnortear-me de qualquer noção que envolva o mínimo de paciência. Eis eu, o pior de mim. 


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