incertezas da alma
Não tenho saudade da história que está sob o domínio do imprevisível. Anti-monotonia e adepta da inércia espiritual. Mente que alucina. Não há expectativas para a elucidação do meu ser. Conceitos possivelmente errôneos sobre a sanidade. Crítica à insensibilidade. Excesso de sentimentalismos. Contradições que se derramam. Certamente, não há previsões que me salvem de mim. Incapacidade de proteger aquele que nega as suas possibilidades. Senhor do tempo. Da vida e do universo.
Tudo o que imagino é deserto. Vazio. Logo concluo a indiferença de meus mais sonhados devaneios. Uma lunática em concentração. Detentora de uma paranoia individual. Fugitiva das normalidades condicionadas. Repulsa das grandes e supérfluas convenções. Mas não há vestígios de se quer alguma relevância. São tempos velozes. Para a minha mente e suas intensas influências. Entretanto, não sinto a tal metamorfose. Não presenciei o suposto dinamismo. Sou uma percepção lenta demais para um mundo momentâneo? mas que de delírios são formadas essas repentinas transformações. Liquidez. Efemeridade. Somos excessos de tudo aquilo que se faz sentimentalmente inevitável. Criamos atentamente, o fim. Vivemos e aspiramos morte. Respiramos falta de essência. Nos cabemos num mundo sem forma e nem cores. Sofremos. Para evitar dores piores. Isso porque o futuro assusta. Machuca, mesmo sem ao menos ter ocorrido. Sofremos com a falta de acontecimentos. Há males camuflados no inexistir. E não suportamos a falta de compreensão ao seu oposto. Inerente ao todo. Por isso a contradição é na verdade lógica. Apenas existem visões sem suficiências em sua nitidez. Isso, porque a incerteza é ainda o núcleo. E a minha declaração é somente um adendo. O desconhecido se faz por tempos, cada vez menos concebível.
Certezas que se fazem menos certas de si mesmas. A vida é um completo desdém. Mas a destruição não constitui inquestionáveis imposições. Imperativos da alienação.
Me vejo longe do impossível esquecimento. Embora não tenha claramente percebido as redundâncias que a minha mente propaga, pois faz-se necessária somente do imaginário. Distorcidamente perto das metades que me são capazes. E incerta de todas as capacidades.
Tranquilizo-me ao recordar da sobrevivencia. Mas padeci ao esquecer o conhecimento de um passado mal sentido. Ares atemporais. Memórias enfraquecidas. Perdi. A mente, lucidez e a conveniente sanidade. Em busca de mim, encontrei a loucura que se faz normalidade.
Exageros que me lapidam. Denigre. Inspira. Espanta e transforma. Difere e me iguala aos exagerados de um mundo raso. Intocável e simplório.
E que na minha lápide, ninguém me reconheça já que a mudança se iniciou no momento em que eu morri para florescer no abismo que há em cada ser existente no universo.

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