Ensaio sobre o desengano.

"Que nada nos LIMITE. Que nada nos DEFINA. Que nada nos SUJEITE. Que a LIBERDADE seja a nossa própria substância." - Simone de Beawoir
Me deixe aqui. No exagero das memórias. Melodias de outrora. Dopada de sentimentos. Transtornada pelo tempo. Contra o vento. Enterrando velhos sonhos detidos oficialmente pela cruel impossibilidade do tempo. Impetuosidade por essência da vida.
    Abandone os meus sorrisos quebrados pela insensibilidade do espírito, que sob os chãos do mundo percorre. Atua. Perpetua.
     Almas marcadas pelo regresso da década. Somos o vazio da era. 
    A beleza foi roubada e desvencilhada do olhar e do peito. Aqueles que nunca a contemplaram, ao sentir a vida em suas próprias correntes, soube de sua inalcançável existência. Se maravilharam com a assustadora ou espantosa permanência. Duvidaram profundamente de todas as mais lógicas distopias disseminadas. E ao perdê-la de vista, soube que poderia quebrar o coração do universo.           Assim o fez, quase como pela força de seu degradado pensamento. E nesse exato instante os relógios de seu senso foram interrompidos. Paramos no tempo pertencente à ganância, somente.              Substituiu-se as suas próprias rédeas e tornou-se ou voltou a condição de um mero desconhecido. Inato. Contendo uma exacerbada confiabilidade na unanimidade que o aniquila discretamente, todos os dias. Em doses pequenas para que a percepção não capte de imediato. Vozes aclamadas pela guerra. Músicas que adormecem. Natureza que adoece. Expectadores do próprio fim.  Frutos da manipulação eficaz. Arma ideológica decorrente e além de tudo, persuasiva o suficiente para não existir expectativas para a origem da tão faltosa, crítica. 
  Dança para o abismo, guiado à nós mesmos, contraditoriamente, pela cegueira que se alastra proporcionalmente à proliferação de  nossos enganos. A libertação certamente está nos desenganos de uma mente cômoda. Exausta da procura pela subsistência no caos. 
Tentam, felizmente, prestar um resgate ao amor. O sentido. Altruísmo desaparecido. Destruído.             Plenamente, esquecido por seres presos no lar da não compaixão. Incompreensão. Insustentação.
Espalhados na fraqueza. Dominados pela fragilidade da ilusória autossuficiência. Troca inexa de egocentrismos. Apego à violência. Propagação da desistência. Desesperança. 
   Irrelevaram-me. E eu sorri. Oposição inesperada ao desamar. 
Perdão aos meus desenclinos. Assim vivo. De antíteses que se destinam.
Me tornei um ser indefinido. Felizmente, perdido. Imprevisível e essencialmente, defensor da leveza da alma. A liberdade é o que aspiro. 

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