A ambiguidade do medo.

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        Venho percebido com mais clareza  e logo, compreendido avidamente as vozes de um medo constante. Dos maiores receios que puderam um dia me invadir, tornando-se explicitamente corrosivos, o qual se refere especificamente ao perder, determinou o meu destino. E por consequência da angústia que a minha imaginação amedrontada me causara, a minha vida foi constituída num sentimento apressado, que de pouco tinha pressa para sentir o desconforto que é a realidade. Mas de tanto senti-la, dela precisei. Convivi. Com cada dor e separo. Conheci o desapego, mas dele não me refiz. Falhei na invalidez do meu evidente desamparo. Me tornei um alicerçado a cada momento hermético enfrentado. Inocentemente cedi à culpa. A qual me distorce e me transforma na iminência de uma realidade impermanente.
       Peso do caos, gerado fundamentalmente da desordem que habita na alma. Nós, seres em busca da tão escassa e mítica felicidade. Responsáveis por decisões que ocupam a nossa limitada noção de tempo. Vida. Existência. Detentores de crenças, as quais nos moldam e refletem o ser inserido sob a sociedade. O pensar constrói. Agir inspira. A veracidade de nosso sentimentalismo exacerbado, tece destinos inimagináveis.
     Iremos inevitavelmente caminhar para um desconhecido fim. Logo após respirar por uma última vez. Estranhas e abruptas mudanças que discorrem por instantes discerníveis e inexplicáveis. Repentinos e inesperados momentos. 
     Por fim, ironicamente me perdi. Na imensidão do cosmos e do mistério de mim.

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