Sentimental.
O meu acordar me direcionou inexplicavelmente ao viver unicamente a explorar o esquecido e forçadamente ignorado, destino não concebido. Vestígios de um ânimo evidentemente perdido.
Alma desenganada. Desencantada. Desfeita. Deixada para trás. Despreparada. Destroçada.
Esmorecimento impiedoso de um olhar relutante ao pessimismo fortemente emanado. Amargamente enfrentado.
Desapontamentos que me impedem de reagir. Agir. E de doar à realidade, meus singelos fragmentos de sonhos estranhamente retraídos. Assim como a mim, abandonados. Mal tratados. Lançados contra a sua natureza. Representam um vazio inegavelmente destrutivo.
Medos se perpetuam deliberadamente. Me vencem. Demônios violentos e absolutamente inquietos. Lutas intermináveis. Incontroláveis. Desgastes.
Melancolia se faz sombra permanente. Influencia o meu silêncio em plena e habitual desesperança. Atordoa. Inibe a minha existência. Os meus dias e horas. Faz anoitecer mais cedo.
Busca pelo perdão inacessível. Difícil. Essencialmente impossível. Irrealista. Inexistente. Invisível. O reverter do irreversível. Coragem que cedo partira. E tarde é compreendido.
Sonhos imensos e desproporcionais à pequenez de um ser torturado pelas heranças de suas imaturas e velhas ilusões.
Crescimento do sentimento de perca. Um eu desaparecido. Distante e desinibido. Não ressentido. Filho do amanhecer. O maior defensor da esperança que a terra pôde conhecer. Desconhecedor de uma dor inabitável.
Decepções inerentes ao contemplador dessa silenciosa e confusa continuidade. Prolongação de um erro perdido no inconsciente. Inconsistente. Instável. Inconsequente. Inconstante.
Resta-se lamentos de um ser desprovido de suficiências.
Inadequado. Um ser desandado. Desestruturado. Desamparado.
Sentimental.

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