O renascer de si.

A vida soou tão amarga quando ela abriu os olhos. Mesmo com o arsenal de sonhos ruins, nada se comparava com o pesadelo constante de uma mente adoecida. Olhos soturnos. Qualquer um era capaz de sentir o teu infinito esmorecimento, nada descomunal a um ser que de tanto embriagar-se de sonhos, passou a nunca os ver novamente. Emanou somente o perder de si mesma. Tudo o que queria era deixar-se ir, sem deixar a vista qualquer evidência de sua frágil e inconsolável vinda.
Encontrou-se numa soturnidade referente ao tempo. Recordou da indeterminação do futuro. Assustou-se com a densidade de seus próprios desencantos. Assistiu o teu desabar e esperou atentamente que o vento pudesse levar o restante de suas ruínas. O seu despedaço.
Está prestes a dar um passo para o seu previsível cair. Submersa em si mesma há tempo o suficiente para desaprender a enxergar o mundo por outra percepção.
Inesperadamente percebeu que é preciso destruir todos os pensamentos que a comprimem e esmagam. Se reinventando aos poucos. Reconhece ter se perdido em intensos instantes. Descreveu-se ao mencionar a palavra saudade. Não se referiu à vida esquecida no tempo, mas à sua ausência de essência na atual consciência.
Não quer se desfazer ou desaparecer ao não contemplar imposições. E nem se esconder ao ser silenciada por uma pressão acima de seu ser. Deseja de volta a paz extinguida. Já que ficou encarcerada num lado exaustivo, inconscientemente alimentado. Vê claramente que errou ao firmar as suas maiores convicções a partir de uma indiferença, a qual silenciosamente a deteve, impedindo portanto que pudesse lidar com a verdadeira face do mundo.
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