Contradições de um ser assustado pela existência.

Me assustei quando soube que o mundo é essencialmente constituído por loucos, pois o normal é inatingível. O que difere com maior exatidão essa insanidade inata, são as causas de sua constante prolongação.
Para dar luz a extrema liberdade, é preciso portanto, se render às verdades que nos desamparam.
Quando se vê o mundo de acordo com o que ele lhe traz, não se pode ser inteiramente livre.
Ao tender-se às mazelas cotidianas e ao olhar de quem escolheu o cinza às nuances belas e vivas que existem para além das que aparentemente nos pertencem, firma-se um destino detido por uma profunda e atenuante soturnidade. Insatisfação atroz e ignorantemente permanecida sobre aquele que a acolheu desesperadamente. Busca insensata pelo senso de existir.
Ao sofrer dores indescritíveis e duramente desgastantes, atribui-se à causa, a possibilidade que mais afeta o anseio pelo falho e utópico controle.
Por medo de se tornar um perdido, alienou-se das próprias e ressentidas angústias. Se fez opositor do ar leve e alegre, por mera teimosia às histórias que lhe feriram.
E mesmo dotado de uma clichê incerteza, insiste em expor ao centro do universo, sua "indiscutível" aptidão de realizar imperfeitas previsões.
Está incluso nos seus mais repulsivos conceitos humanos. Não percebe nitidamente que os erros dos quais acusa uma suposta multidão enfraquecida, são os mesmos que cometeu por toda a sua vida. Sua oposição é a forma mais hábil de esconder dúvidas triviais que também lhe perduram. Acompanham-no amargamente. Ferem as suas emoções pela falta de jeito em lidar com sua insustentável constância.
Não admite as suas apreensões com o intuito de evitar o reviver do princípio. Mas engana a si mesmo ao experienciar os efeitos indiferiveis de um pensamento que inevitavelmente capta o amedrontar de uma criança perdida, presente em si mesmo.
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