Esperança
Tenho me pego ultimamente, correndo da vida. Desejando principalmente que os meus dias passem de uma maneira tão veloz, que jamais me daria o trabalho de prestar a devida atenção e portanto, acabaria me esquecendo inteiramente de cada um deles. Aderiria a uma espécie de esquecimento voluntário.
No momento me restrinjo a apenas imaginar o que seria agradável viver. Mas admito que pouco tenho aceitado os acontecimentos decorrentes no meu agora.
Na maior parte do tempo, me dou a audácia de nos devaneios excessivos, me ver indo ao encontro com o mais próximo que pude conhecer sobre a felicidade.
Neles, aprecio a beleza do mundo e da existência por si mesma.
Esqueço e me desfaço do antigo eu.
Crio novos contos, caminhos e destinos.
Vivo numa eterna lentidão iluminada pelo sol.
Nas noites, danço e escrevo poemas sobre antigos desamores.
E jamais me arrependo de mudar com tanta inconstância. Dou lugar a espontaneidade e sinto de verdade a vida em movimento.
Me despenco da minha maior certeza
Rumo a um mar de metamorfoses
Não me importo de estar acompanhada pelas sombras
Pois me vejo num belo recanto dentro do universo
Onde eu vivo enquanto o observo minuciosamente.
E mesmo estando na escuridão absoluta que me envolve
Há o brilhar sutil de uma única estrela no céu.
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