Monotonia

A monotonia te persegue até nos ritmos mais acelerados. Quando relacionada com estagnação, não se refere necessariamente ao estado de pouca agitação do ser de fato, mas numa padronização de circunstâncias criadas ou apenas suportadas por ele. É o modo mecanizado que grande parte das pessoas contribui para que se instale em suas vidas.
Gradualmente, há delimitações guiadas por influências exteriores exageradamente o suficiente para calar as necessidades profundamente interiores. E quando uma das motivações que rege a sua vida, perde o sentido, somente existir se torna instintivo.
Ter uma rotina é inevitável. Raro é ter alguma que te agrade mais do que frustre. Ignorar a si para se adequar a um mundo que não te valorizará da forma que você poderia-porém, não faz-é interromper um futuro humanizado. Seria mais humano pois tão pouco as pessoas desejam admitir as suas emoções, portanto, dificilmente irão protegê-las. Cala-se as raízes de um ser a florecer em si. Se reinventar se torna ausente. Viver não já não é mais uma prioridade, mas sobreviver, sim.
Alimenta-se o que nos abstrai e portanto, junto conosco, se vai a esperança de viver conforme a nossa essência. Esquecemos e somente lembramos de nós quando está próximo do fim. Recordamos da nossa finitude. Acordamos ao estar prestes a dormir sob influência do desconhecido.
Aceita-se o que fere e recusa-se aquilo que não nos impõe limites. Oferece-se um muro de ilusões e o aceitamos, sem sequer pensar sobre.
O tempo expira e o arrependimento invade. Estávamos a espera de ordens, pois assim, nos programaram. Dá-se conta de que somos meros seres controlados por tudo e todos, menos por si.
Nisto erramos: em ver a morte à nossa frente, como um acontecimento futuro, enquanto grande parte dela já ficou para trás. Cada hora do nosso passado pertence à morte. -Sêneca
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