Crescimento




   
      Acredito que crescer seja muito mais do que apenas se desenvolver fisicamente conforme o tempo. É um desenvolvimento que provém fundamentalmente da dor e do desequilíbrio, tanto o que se refere ao caos externo, como também o qual nos faz ser um grande protagonista de uma crise pessoal.
      Perceber um crescimento é um ato árduo, principalmente se estamos acostumados com o ritmo pós-moderno o suficiente para mal prestarmos atenção em nós mesmos. Crescer estará sempre alicerçado com outros verbos de mantimento essencial para a formação de um progresso contínuo. Poderia dizer que crescer não pode ser definido de uma forma generalizada (aliás, o que realmente pode?) justamente por depender de uma série de evoluções subjetivas. Logo, quem somos nós para medir a maturidade de alguém e compará-la com outrem, que mal possuirá semelhanças dentro desse aspecto? nós crescemos quando cessamos o ato de realizar comparações inexas. Um indicativo de crescimento? talvez viver o agora ao invés de se perder no tempo com memórias pouco confiáveis ou num futuro mal dimensionado.
     Se olharmos para os nossos defeitos e ao invés de nos acomodarmos ou negá-los, tentamos ser uma pessoa melhor trabalhando com eles, é porque mudamos. E crescer equivale à mudanças, principalmente aquelas que provém de um longo diálogo com nós mesmos.  
   Significa, consequentemente, parar de se auto-alienar com conclusões nada efetivas. É passar a não deixar o mundo mudar a si por completo, como também, não anular outros olhares sobre você. Portanto, ser firme, porém, não acomodado, é uma virtude admirável. Entretanto, ter a mesma visão a ser aplicada em situações onde a singularidade dessas não é sequer considerada, não é saudável, justamente por te colocar numa prisão mental, atrasando assim, um possível progresso dentro de si. 
   Muitos confundem o crescimento com uma corrida rumo à um lugar onde todos os nossos esforços serão recompensados. Mas enquanto o tempo é enfrentado, perceptivelmente há outros conceitos a serem criados. Pois ao invés de enxergamos uma história premeditada ao pensarmos em nós, provavelmente vamos passar a querer construir alguma a partir da nossa  mais fiel essência. Admitindo e nos libertando aos poucos. Até porque começamos a compreender que o tempo é uma ilusão e a pressa, é uma reação impiedosa ao trazer consequências regadas a arrependimentos futuros.
     Nisso, paramos de nos justificar constantemente. Aceitamos que nem sempre será preciso entender o propósito do mundo. Parar de formular respostas para atos inconsequentes vira um hábito. Afinal, todos estão suscetíveis a erros, e as vezes, o exagero é quem se encarrega de atribuir esse significado para ações insignificantes. A lamentação sem fundamento vira quase escassa. Nossos equívocos viram aprendizados e não grandes múrmuros. Tomamos consciência tanto de que agir em determinados momentos, como por influência emocional, pode trazer consequencias negativas, como também, deixar de colocar em prática muito do que acreditamos, pode trazer infelicidade e contradição.
    Aceitar que não há como ter controle o tempo inteiro, é essencial nesse processo, afinal, fica mais fácil identificar no que temos e assim, conseguimos investir nesses aspectos realmente maleáveis.        Adquirimos portanto, resiliência.
   A medida em que crescemos, descobrimos que o crescimento é muito mais, e contudo, é preciso compreender/reconhecer o que existe para ser aprendido no agora e lidar com o fato de que não somos seres dotados de todo o conhecimento. Assim, evita-se a limitação de si e cresce-se cada vez mais. 
    
   

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