Sobre o futuro.

Quantas vezes não nos perdemos pensando num futuro, no qual estamos cansados de criar imensas expectativas, mesmo que este não tenha a possibilidade de se concretizar? Planejamos com o propósito de não querer olhar para a nossa vida nesse instante. A qual passa pelos nossos olhos, e mal nos importamos, justamente por carregarmos em nossa mente, a ideia de que um dia tudo se ajeitará, logo, ao invés de aproveitarmos o presente, somente esperamos que esse dia idealizado chegue.
Imaginamos exatamente como tudo será. Um emprego dos sonhos (enquanto estamos em um que nos deprime), a área de estudos que realmente nos interessa (enquanto ingressamos naquela que é socialmente mais aceita), nas amizades que poderiam ser mais compreensivas (enquanto convivemos com aquelas que nos colocam para baixo), em amores mais agradáveis (enquanto suportamos pessoas que mal sabem amar), em dias melhores (enquanto vivemos uma rotina esmagadora). Acreditamos que temos todo o tempo do mundo, porém, nos esquecemos, que pouco sabemos sobre o tempo, e quem dirá, de quanto temos. O olhar chega a estremecer quando nos deparamos com o fato de que somos finitos, mas que mesmo conscientes, não fazemos o nosso melhor em vida.
Passamos diante de pessoas importantes, sem ao menos demonstrar nosso carinho, talvez por não aceitarmos que ela um dia irá embora. Portanto, confortavelmente nos adaptamos a ideia de que sempre a teremos a nossa disposição. Colocamos a culpa na correria do mundo e como consequência, vivenciamos somente a saudade e o arrependimento.
Um dia a gente descobre que priorizar a nossa felicidade não é bem ser egoísta, é só viver, de verdade, pelo menos alguma vez.
Escolhemos ficar em casa por ter medo de sair só (o que as pessoas irão pensar de alguém tão solitário?) afinal, não somos ensinados que para sermos felizes, é necessário, sempre, ter algo ou alguém?
Nos envolvemos com pessoas desagradáveis (afinal, queremos ser gentis ou pelo menos não nos sentir solitários), compramos de modo exacerbado (dizem que assim, finalmente serás realizado), consumimos conteúdos que nada nos acrescentam (afinal, precisamos rir de algo, pra superar o fato de não conseguirmos rir nem para nós mesmos).
Tentamos nos encaixar agora, para que no futuro, sejamos aceitos por todos, mesmo que essa aceitação não signifique nada e nem mesmo seja possível.
Não apreciamos cada segundo e nem vemos beleza nos aspectos mais minuciosos do nosso dia. Nos acostumamos a considerar a beleza, um mero padrão de aceitação. Perdemos a nossa identidade. Não mais pensamos. Apenas reproduzimos. E se pararmos raramente para refletir, perceberemos que o futuro para qual tanto nos esforçamos, nada mais é, que um ciclo de promessas. Uma corrida sem chegada. A realidade nunca foi tão dura, com alguém que tanto sonhou, ao invés de viver.
Mto pesado
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