Mais um sobre existência (e as dificuldades que vem com ela).

   
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     E foi tendo dias quase que insuportáveis que eu aprendi a valorizar todos aqueles que pareciam não trazer nada de diferente. Me acostumei com os dias ruins, e todos aqueles em que nada acontecia, eram apenas taxados como entediantes, quando na realidade, foram fundamentais para manter um equilíbrio na minha vida, apenas não fui capaz de perceber tão cedo.  A verdade é que a comodidade não deveria atingir ninguém, já que ela estagna a mente e portanto, faz com que tudo facilmente perca o sentido. 
       Me acostumar com um aspecto tão negativo diante da minha vida, só teve um final, a criação de um pessimismo inexo e infelizmente, decorrente. Pensar sobre tudo o que poderia dar errado e tentar prever com a maior convicção possível o meu futuro foi um dos maiores erros que cometi por tempos. 
       Como eu conseguiria distinguir os dias bons dos ruins se somente os detalhes que me levassem a acreditar que tudo seria ruim para sempre, prevaleciam na maior parte do tempo, pelo menos na minha fechada percepção de mundo? Posso dizer que o exagero foi o principal atuante em mim. Uma insignificante situação que não correspondesse com as minhas expectativas super dimensionadas e eu desistia não só dos meus planos, como também de mim. 
     Pela necessidade de um sentido em relação aos acontecimentos para conosco, acabamos por realizar associações pouco realistas, dentro de circunstâncias que apesar de semelhantes, jamais poderão ser profundamente comparadas entre si. Odiamos perceber a ambiguidade que a existência carrega. Logo, é da nossa essência pelo menos tentar estar certo.
       Talvez você concorde com a desnecessidade do radicalismo, porém, dificilmente deve notar que generalizamos até mesmo os nossos dias e dessa forma, aos poucos, os perdemos. Se ao menos prestássemos mais atenção nos lugares mais monótonos pelos quais passamos, talvez eles deixassem de ser assim chamados. Certamente, atribuições incorretas acarretam sentimentos desgastantes e estigmas provenientes do passado também contribuem elevadamente para esse sufocamento resultante. Logo, se for para citar a palavra abandono, que seja para relacioná-la com a parte de nós que mais se encarrega de afundar qualquer possibilidade de sermos felizes. 

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