Indigente

Sinto tanto e não sinto mais. Sinto muito que tanto faz. Esse sentir de que aqui jaz...

Precipitada. Desenganada sobre o tempo e seus desencontros. Decepção que se acumula sem freio. Busca pela transformação da solidão em meio às presenças que marcaram sua vinda, mas essencialmente, a ida. (Nunca realmente houve uma vinda, logo, descarto as voltas e me reconforto na desesperança que sempre neguei possuir).
Eu confio em memórias que me forçam a sentir saudade. Uma falta sem sentido ou causa. Talvez seja de mim. Mas creio enormemente que se trata de um sentimento sem nome. Uma reminiscência diferente. Platão entenderia o que não posso, por mera ignorância, explicar. Contudo, digo que ainda me sinto no passado. Freud chamaria de transferência, porém, nomeio somente de ferida ainda presenciada no interior da minha incompreendida mente.  Queria não ter tempo de guardar memórias mentirosas de um alguém que jamais aproximaria do ser que me tornei. De tão perdida em meus devaneios, me espanto ao sentir a realidade do agora. Então fujo, erroneamente, para dentro de mim. O pior lugar para se residir. (Triste morada).
Queria poder dizer adeus a esse lado soturno, pois quem me vê sempre sorrindo e decifra, se assusta. Posso então reconhecer a contradição que expresso. Aspiro contrastes que inesperadamente se revelam.
Então eu acabo assim, me perguntando sobre quem eu sou.
(Sem intencionalmente querer descobrir).

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